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Número de mulheres na bolsa de valores ultrapassa a marca de 1 milhão

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O relatório de perfil dos investidores de abril da B3 mostrou que agora as mulheres somam 1.007.982 de CPFs na Bolsa de Valores brasileira. Há dois anos existiam apenas 388 mil mulheres investindo. O aumento da participação feminina na bolsa foi de cerca de 500% nos últimos anos. 

Apesar da boa notícia, o número de mulheres na bolsa representa ainda 27,34% do total, embora a população brasileira tenha maioria feminina. As mulheres têm conquistado seu espaço nos investimentos, mas a participação ainda é tímida e carece de incentivos.

Entenda nesse artigo porque as mulheres investem menos do que os homens e como mudar esse quadro!

Evolução das mulheres na bolsa de valores

O número de pessoas investindo na bolsa varia de acordo com a situação econômica do país e o grau de educação financeira da população. Ao todo, a bolsa chegou a 3.687.026 milhões de investidores, um aumento de 532% desde 2011.

O relatório mostrou que os investidores pessoas físicas representam cerca de 20% dos negócios na bolsa do Brasil e que a grande maioria são da região Sudeste – que detém 73,4% das pessoas físicas na Bolsa.

Apesar do número geral de investidores ter crescido nos últimos anos, o aumento do número de mulheres na bolsa é ainda mais expressivo. Depois de uma queda no número de investidoras entre 2009 e 2016, quando passou de 136.062 mil para 130.265 mil, o período entre 2017 e 2020 trouxe um crescimento de 141.738 mil para 847.585 mil.

Os dados divulgados também mostram que mulheres entre 26 a 35 anos estão na faixa etária mais participativa, seguidas pela faixa de 36 a 45 anos. Porém, a faixa etária que tem maior valor investido por mulheres é a de mais de 66 anos, e a maioria delas estão na região Sudeste.

O principal motivo para o aumento no número de pessoas investindo atualmente no Brasil é a queda das taxas de juros. A taxa Selic, que é a taxa básica da economia, chegou em 2020 ao seu patamar mais baixo aos 2%. Isso estimula as pessoas a buscarem novas formas de aplicar o seu dinheiro, migrando, muitas vezes, da renda fixa para a variável.

Caso você não saiba o que é a taxa Selic e como ela afeta seu dinheiro, acesse esse artigo e descubra!

Outro motivo ainda mais relevante é o nível de consciência brasileira a respeito dos investimentos. Muito tem se falado sobre o tema e, com a popularização dos canais e blogs de finanças, como o Bolsa de Dados, mais pessoas podem ter acesso a essas informações.

Cabe lembrar que todos deveriam ter acesso à educação financeira, afinal, ela é um elemento libertador da população e permite que as pessoas possam ter uma vida digna.

Quando falamos especificamente sobre essa marca alcançada pelas mulheres, a importância é ainda maior. As mulheres são socialmente condicionadas a não terem participação nas finanças da sua família e muitas vezes até mesmo delas próprias.

Ter alcançado a marca de 1 milhão de mulheres na bolsa de valores significa que 1 milhão de mulheres utilizam os investimentos como um instrumento para o empoderamento.

Mulheres têm mais desafios para investir na Bolsa em comparação com os homens

O menor número de mulheres na bolsa em relação aos homens se deve, principalmente, ao histórico de exclusão feminina na economia. Foram impostos diversos entraves para as mulheres, onde, até 1962, as mulheres casadas precisavam de autorização do marido para trabalhar fora. O Código Civil de 1916 também as impediam de abrir conta no banco, ter estabelecimento comercial ou administrar os bens da família.

Só foi permitido que as mulheres abrissem conta bancária há poucos anos atrás, em 1962. Além disso, o empoderamento das finanças no público feminino é mais recente ainda. Não há o costume de fornecer às mulheres a educação financeira e esse não é um assunto estimulado nos ambientes femininos. O mundo dos investimentos é estigmatizado e taxado como complexo e inacessível, fatores esses que inibem a participação das mulheres na Bolsa.

Além da situação histórica, o contexto atual também dificulta a entrada das mulheres no mundo dos investimentos.

Segundo o IBGE, o Brasil registrou uma queda de 8,5 milhões de mulheres no mercado de trabalho no terceiro trimestre de 2020.

As mulheres ainda encontram dificuldades para se inserir no mercado de trabalho e, quando conseguem, enfrentam diferenças salariais e jornadas duplas. Todos esses fatores impedem que as mulheres reconheçam na Bolsa de Valores um espaço que também deve ser ocupado por elas, e que traz benefícios não somente para si própria, como para toda sociedade.

Educação financeira para mulheres é transformadora

Quando a mulher passa a cuidar das suas próprias finanças ela se torna um agente transformadora da sociedade. Isso acontece por meio da educação de seus filhos e pela disseminação do conhecimento em um público que não era alcançado. Além da mudança de comportamento cultural no País, ter mulheres fazendo aplicações leva ao equilíbrio econômico da perspectiva demográfica, visto que as mulheres têm uma expectativa de vida maior.

Ademais, as mulheres são as principais gestoras do orçamento doméstico no dia a dia. Segundo o relatório UBS Investor Watch, divulgado em 2019, a cada 10 mulheres, 8 estão altamente envolvidas na administração diária das despesas da casa e no pagamento das contas.

Porém, o mesmo estudo mostrou que apenas 23% das mulheres são responsáveis pelas decisões financeiras de longo prazo, como planejamento para aposentadoria. E o pior: 58% das mulheres casadas entrevistadas delegam a responsabilidade aos seus cônjuges.

Por isso, é tão importante estimular as mulheres a assumir o controle de suas finanças para conquistar a sua segurança financeira. As mulheres não foram ensinadas a cuidar do dinheiro, mas todas são capazes de alcançar a independência financeira.

É essencial empodera-las financeiramente, mostrando as possibilidades e vantagens que uma vida financeira organizada e que os investimentos podem trazer. Devemos mostrar que elas não precisam delegar sua vida financeira para alguma figura masculina, seja marido, pai ou irmão.

A educação sobre finanças femininas é transformadora porque a mulher na sociedade brasileira é o eixo da família. Com mulheres educadas financeiramente, teremos uma nova geração educada financeiramente, e, assim, uma transformação social.

As conquistas não podem acabar por aqui

A marca alcançada deve ser comemorada, mas a participação das mulheres no mercado de capitais ainda tem muito potencial de expansão e pode trazer inúmeros benefícios para toda a sociedade. Temos muito caminho pela frente.

A educação financeira é libertadora, em especial para as mulheres. Além da questão de gênero, deve-se considerar também a divisão demográfica desigual dos investidores. Devemos nos questionar: porque estão concentrados na região sudeste? Quais ações podem ser tomadas para dar acesso aos investimentos para as pessoas de todas as regiões e de todos os gêneros?

Lembre-se que ter uma cultura de investimento, e não de endividamento, é algo que beneficia toda a população.

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